Diabetes mellitus

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Diabetes mellitus

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevaçãoda glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos nasecreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelaschamadas células beta. A função principal da insulina é promover a entrada deglicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitadapara as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na suaação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos dehiperglicemia.


A glicemia de jejum ou glicose em jejum, é um exame desangue que mede a taxa de glicose na circulação sanguínea e precisaser feito após um jejum de 8 a 12 horas de duração, ou de acordo com aorientação do médico, sem o consumo de qualquer alimento ou bebida, excetoágua. Este exame é muito utilizado para investigar o diagnóstico de diabetes, epara monitorar as taxas de açúcar no sangue de pessoas diabéticas ou com riscopara esta doença.

Além disso, para se obter resultados maisconfiáveis, este exame pode ser solicitado em conjunto com outros quetambém avaliam estas alterações, como o teste de tolerância oral à glicose (ouTOTG) e hemoglobina glicada, principalmente se for verificada alteração noexame de glicose em jejum. Conheça mais sobre os exames que confirmam odiabetes.


Classificação doDiabetes

Sabemos hoje que diversas condições que podem levar aodiabetes, porém a grande maioria dos casos está dividida em dois grupos:Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2.

Diabetes Tipo 1 (DM 1) - Essa formade diabetes é resultado da destruição das células beta pancreáticas por umprocesso imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprioorganismo contra as células, beta levando a deficiência de insulina. Nesse casopodemos detectar em exames de sangue a presença desses anticorpos que são: ICA,IAAs, GAD e IA-2. Eles estão presentes em cerca de 85 a 90% dos casos de DM 1no momento do diagnóstico. Em geral costuma acometer crianças e adultos jovens,mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária.

O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido(alguns dias até poucos meses) de sintomas como: sede, diurese e fomeexcessivas, emagrecimento importante, cansaço e fraqueza. Se o tratamento nãofor realizado rapidamente, os sintomas podem evoluir para desidratação severa,sonolência, vômitos, dificuldades respiratórias e coma. Esse quadro mais graveé conhecido como Cetoacidose Diabética e necessita de internação paratratamento.

Diabetes Tipo 2 (DM 2) - Nesta formade diabetes está incluída a grande maioria dos casos (cerca de 90% dospacientes diabéticos). Nesses pacientes, a insulina é produzida pelas célulasbeta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadrode resistência insulínica. Isso vai levar a um aumento da produção de insulinapara tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é maispossível, surge o diabetes. A instalação do quadro é mais lenta e os sintomas -sede, aumento da diurese, dores nas pernas, alterações visuais e outros - podemdemorar vários anos até se apresentarem. Se não reconhecido e tratado a tempo,também pode evoluir para um quadro grave de desidratação e coma.

Ao contrário do Diabetes Tipo 1, há geralmente associação com aumento de peso eobesidade, acometendo principalmente adultos a partir dos 50 anos. Contudo,observa-se, cada vez mais, o desenvolvimento do quadro em adultos jovens e atécrianças. Isso se deve, principalmente, pelo aumento do consumo de gorduras ecarboidratos aliados à falta de atividade física. Assim, o endocrinologistatem, mais do que qualquer outro especialista, a chance de diagnosticar odiabetes em sua fase inicial, haja visto a grande quantidade de pacientes queprocuram este profissional por problemas de obesidade.

Outros Tipos de Diabetes - Outros tipos de diabetes são bem mais raros eincluem defeitos genéticos da função da célula beta (MODY 1, 2 e 3), defeitosgenéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas (pancreatite, tumorespancreáticos, hemocromatose), outras doenças endócrinas (Síndrome de Cushing,hipertireoidismo, acromegalia) e uso de certos medicamentos.

Diabetes Gestacional - Atenção especial deve ser dada ao diabetesdiagnosticado durante a gestação. A ele é dado o nome de Diabetes Gestacional.Pode ser transitório ou não e, ao término da gravidez, a paciente deve serinvestigada e acompanhada. Na maioria das vezes ele é detectado no 3o trimestreda gravidez, através de um teste de sobrecarga de glicose. As gestantes quetiverem história prévia de diabetes gestacional, de perdas fetais, má formaçõesfetais, hipertensão arterial, obesidade ou história familiar de diabetes nãodevem esperar o 3º trimestre para serem testadas, já que sua chance dedesenvolverem a doença é maior.

Como Posso Saber se Estou Diabético?

O diagnóstico laboratorial pode ser feito de três formas e,caso positivo, deve ser confirmado em outra ocasião. São considerados positivosos que apresentarem os seguintes resultados:

1) glicemia de jejum > 126 mg/dl (jejum de 8 horas)
2) glicemia casual (colhida em qualquer horário do dia, independente da últimarefeição realizada (> 200 mg/dl em paciente com sintomas característicos dediabetes.
3) glicemia > 200 mg/dl duas horas após sobrecarga oral de 75 gramas deglicose.

Existem ainda dois grupos de pacientes, identificados por esses mesmos exames,que devem ser acompanhados de perto pois tem grande chance de tornarem-sediabéticos. Na verdade esses pacientes já devem ser submetidos a um tratamentopreventivo que inclui mudança de hábitos alimentares, prática de atividadefísica ou mesmo a introdução de medicamentos. São eles:

(a) glicemia de jejum > 110mg/dl e < 126 mg/dl.
(b) glicemia 2 horas após sobrecarga de 75 gr de glicose oral entre 140 mg/dl e200 mg/dl

O diagnóstico precoce do diabetes é importante não só para prevenção dascomplicações agudas já descritas, como também para a prevenção de complicaçõescrônicas.

A Importância do Acompanhamento

É importante que o paciente compareça às consultas regularmente, conforme adeterminação médica, nas quais ele deverá receber orientações sobre a doença eseu tratamento. Só um especialista saberá indicar de forma correta:

• a orientação nutricional adequada,
• como evitar complicações,
• como usar insulina ou outros medicamentos,
• como usar os aparelhos que medem a glicose (glicosímetros) e as canetas deinsulina,
• fornecer orientações sobre atividade física,
• fornecer orientações de como proceder em situações de hipo e dehiperglicemia.

Esse aprendizado é fundamental não só para o bom controle do diabetes comotambém para garantir autonomia e independência ao paciente. É muito importanteque ele realize suas atividades de rotina, viajar ou praticar esportes commuito mais segurança. É importante o envolvimento dos familiares com o tratamentodo paciente diabético, visto que, muitas vezes, há uma mudança de hábitos,requerendo a adaptação de todo núcleo familiar.

Por que Tratar a Hiperglicemia?

A hiperglicemia é a elevação das taxas de açúcar no sangue e que deve sercontrolada. Sabe-se que a hiperglicemia crônica através dos anos está associadaa lesões da microcirculação, lesando e prejudicando o funcionamento de váriosórgãos como os rins, os olhos, os nervos e o coração. Os pacientes queconseguem manter um bom controle da glicemia têm uma importante redução norisco de desenvolver tais complicações como já ficou demonstrado em váriosestudos científicos.

Pacientes com Diabetes Tipo 2 não diagnosticado tem risco maior de apresentaracidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença vascular periféricado que pessoas que não têm diabetes. Isso reforça a necessidade de umdiagnóstico precoce que permita evitar tais complicações.

A Automonitorização

Para obter um melhor controle dos níveis glicêmicos, não basta o pacienteapenas acreditar que está fazendo tudo corretamente ou ter a sensação de estarsentindo-se “bem”. É necessário monitorar, no dia-a-dia, os níveis glicêmicos.Para isso, existem modernos aparelhos, os glicosímetros, de fácil utilização eque nos fornecem o resultado da glicemia em alguns segundos. Siga asorientações do seu médico quanto ao número de testes que deve ser realizado.

O objetivo desse controle não é só corrigir as eventuais hiperglicemias queocorrerão, mas também tentar manter a glicemia o mais próximo da normalidade,sem causar hipoglicemia.

Quanto melhor o controle, maior o risco de hipoglicemia, daí a importânciatambém da monitorização da glicemia mais vezes tanto para evitar a hipo, comotambém para que não se coma em excesso na correção dela, o que invalidaria osesforços para manter o controle. A monitorização permite que o paciente,individualmente, avalie sua resposta aos alimentos, aos medicamentos(especialmente à insulina) e à atividade física praticada.

Exames de Rotina

De acordo com a necessidade, as consultas devem ser mensais, bimestrais outrimestrais, com eventuais contatos por telefone ou fax, com envio damonitorização glicêmica. Nas consultas são solicitados os exames que devemincluir a glicemia, a hemoglobina glicada trimestral (que dá a média daglicemia diária nos últimos 2 a 3 meses), função renal anual (uréia,creatinina, pesquisa de micralbuminúria), perfil lipídico anual ou semestral,avaliação oftalmológica anual, avaliação cardiológica. Os demais exames devemser solicitados de acordo com a necessidade individual do paciente.

 

Como se preparar para o exame

O preparo do exame de glicemia em jejum inclui a nãoingestão de qualquer alimento ou bebida que contenha calorias por, nomínimo, 8 horas, não devendo ultrapassar as 12 horas de jejum.

É recomendado manter a dieta habitual na semanaprévia ao exame e, além disso, é importante não consumirálcool, evitar cafeína e não praticar exercícios rigorosos nodia anterior ao exame.

 


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