Anticorpos antitireoidianos

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Anticorpos
antitireoidianos

As principais doenças da glândula tireoide, como a
tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, têm uma origem autoimune, ou
seja, são provocadas pelo surgimento de anticorpos contra a própria tireoide.

Atualmente, conseguimos identificar através de exames de
sangue a presença de pelo menos três anticorpos antitireoidianos: anti-TPO,
TRAb e anti-tireoglobulina, que nos auxiliam no diagnóstico da tireoidite de
Hashimoto e na doença de Graves.

Nesse artigo vamos explicar o que são os anticorpos
antitireoidianos e como interpretar os seus resultados.

Existem dezenas de doenças autoimunes. No caso das doenças
autoimunes da glândula tireoide, as duas mais comuns são a tireoidite de
Hashimoto a doença de Graves.

Quais são os
anticorpos antitireoidianos
?

Tanto na tireoidite de Hashimoto quanto na doença de Graves,
o sistema imunológico passa a produzir anticorpos que atacam proteínas específicas
da glândula tireoide. Os anticorpos se ligam a determinados pontos da tireoide
e passam a atacá-los, provocando uma grande reação inflamatória local e
destruição do tecido sadio da glândula tireoide.


Os três principais
auto-anticorpos associados a doenças autoimunes da tireoide são
:

Anticorpos Antitireoperoxidase (anti-TPO).

Anticorpos Antitireoglobulina (Anti-Tg).

Anticorpos Anti-receptores de TSH (TRAb).

Anticorpo anti-TPO (anticorpos anti-tireoperoxidase)

A tireoperoxidade (TPO) é uma enzima presente nas células
epiteliais da tireoide que participa da síntese dos hormônios tireoidianos.

Mais de 90% dos pacientes com tireoidite de Hashimoto
possuem anticorpos anti-TPO (antigamente chamado anticorpo anti-microssomal).
Os anticorpos anti-TPO também estão presentes na doença de Graves, mas em menor
frequência, ao redor de 75% dos casos.

Todavia, é bom salientar que cerca de 15% da população geral
sadia e das gestantes, sem doenças da tireoide, podem ter anticorpos anti-TPO
positivos, sem que isso tenha significado clínico imediato.

Os anticorpos anti-TPO também são comuns em familiares de
pacientes com doenças autoimunes da tireoide. 50% deles têm anti-TPO positivo
sem ter qualquer sinal de doença da tireoide.

Portanto, não basta ter anticorpos antitireoidianos
presentes para se desenvolver doença autoimune da tireoide. Outros fatores
ainda não totalmente elucidados são necessários.

Em geral, pacientes com anticorpos anti-TPO apresentam maior
risco de desenvolverem doenças autoimunes da tireoide, principalmente se já
tiverem critério para hipotireoidismo subclínico.

Na verdade, este é o grupo de pacientes que mais se
beneficia da pesquisa do anti-TPO, pois um valor elevado sugere que o paciente
tem o dobro de chance do seu hipotireoidismo subclínico evoluir para
hipotireoidismo franco quando comparado com pacientes sem anticorpos anti-TPO .

Como a imensa maioria dos casos de hipotireoidismo é
provocada pela tireoidite de Hashimoto, muitos médicos não solicitam a pesquisa
do anti-TPO. O resultado muito provavelmente será positivo e isso nada
influenciará no tratamento da doença.

A pesquisa da anti-tireoperoxidase acaba sendo mais útil quando
há dúvidas sobre a origem da doença da glândula tireoide.

Não é indicado solicitar a pesquisa de anticorpos anti-TPO
(ou qualquer outro auto-anticorpo) na população em geral, sem que haja um
motivo específico para tal.

A única exceção são as pessoas sadias, mas com história
familiar de doença autoimune da tireoide, pois a presença do anti-TPO sugere um
maior risco de problemas na tireoide no futuro. Mesmo assim, é muito
questionável a utilidade deste exame se o paciente não tiver critérios para hipotireoidismo
subclínico. Como já vimos, ter o anticorpo no sangue não significa
obrigatoriamente que o paciente terá qualquer problema com a sua tireoide.


Valores de
referência do Anti-TPO
:

Na maioria dos laboratórios o valor de referência para o
anti-TPO é menor que 15 U/ml. Porém, há laboratórios que trabalham com até 60
U/ml como a faixa de normalidade.

O mais indicado, portanto, é comparar o valor do anti-TPO do
paciente com o da referência do laboratório. Quanto maior for o resultado, mas
provável é a presença de uma doença autoimune da tireoide.

Anticorpos anti-tireoglobulina (anti-Tg)

A tireoglobulina é uma substância precursora dos hormônios
da tireoide, que costuma ficar estocada dentro do tecido tireoidiano.

A presença de anticorpos contra a tireoglobulina é muito
comum na tireoidite de Hashimoto, estando presente em 80 a 90% dos casos. Em
geral, pacientes com Hashimoto apresentam anti-tireoglobulina e anti-TPO
positivos. A presença de anti-tireoglobulina positiva e anti-TPO negativo na
tireoidite de Hashimoto é pouco comum.

Assim como ocorre com os anticorpos anti-TPO, os anticorpos
anti-tireoglobulinas também podem estar presentes também na doença de Graves.
Cerca de 50 a 70% dos pacientes com Graves tem estes anticorpos positivos.

Apesar de estarem muito relacionados às doenças autoimunes
da tireoide, a presença de anticorpos anti-tireoglobulinas não significa
necessariamente que o paciente tenha ou venha a ter algum problema da tireoide.
Cerca de 15% da população saudável e das grávidas podem ter esses anticorpos
detectáveis no sangue, sem que isso tenha relevância clínica.

Ao contrário do anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulina
podem desaparecer após anos de tratamento do hipotireoidismo.


Valores de
referência do anti-tg
:

Na maioria dos laboratórios, o valor de referência para o
anti-tireoiglobulina é menor que 100 U/ml. Há laboratórios que trabalham com
outros valores de normalidade, por isso, mais importante que o valor absoluto é
a comparação com os valores de referência fornecidos no laudo.

Anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb)

O TSH é um hormônio liberado pela glândula hipófise, que age
estimulando a produção de hormônios pela tireoide. Os receptores de TSH
localizados na tireoide podem ser alvo de ataque de anticorpos, que recebem o
nome de anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb).

Ao contrário do anti-TPO e do Anti-Tg, que são mais comuns
na tireoidite de Hashimoto que na doença de Graves, o TRAb encontra-se presente
em até 95% dos casos de Graves e apenas em 20% dos pacientes com Hashimoto.
Outra diferença relevante é o fato do TRAb não estar, habitualmente, presente
na população em geral sadia.

Os anticorpos anti-receptores de TSH podem se ligar aos
receptores de TSH e estimulá-los, levando a tireoide a produzir hormônios
tireoidianos em excesso. O TRAb também pode se ligar aos receptores de TSH e
bloqueá-los, impedindo que o TSH atue sob a tireoide, provocando, assim, um
estado de hipotireoidismo.


Valores de
referência do TRAb
:

Na maioria dos laboratórios, o valor de referência para o
TRAb é menor que 1,5 U/L.

A dosagem do TRAb pode ser usada para acompanhar a eficácia
do tratamento, uma vez que os seus valores costumam cair conforme a doença de
Graves é controlada.

Quando investigar a presença de anticorpos antitireoidianos?

Em geral, o TRAB, anti-TPO e a anti-tg não são essenciais
para o diagnóstico das doenças da tireoide. Como a imensa maioria dos casos de
hipotireoidismo são causados pela tireoidite de Hashimoto, a dosagem de
anti-TPO e a anti-tg acaba acrescentando pouca informação clínica ao caso. Sua
utilidade é maior na avaliação da progressão dos casos de hipotireoidismo
subclínico.

Já nos pacientes com hipertireoidismo, o melhor exame para
investigar a causa é a cintigrafia com iodo, pois ela é capaz de distinguir as
diversas doenças que provocam o funcionamento excessivo da glândula tireoide.

A pesquisa de TRAb acaba sendo muito útil apenas se no local
onde o paciente vive não houver facilidade para se realizar a cintigrafia.

Um resultado positivo para TRAb em pacientes com
hipertireoidismo é fortíssimo indício de doença de Graves.

Por outro lado, um TRAb negativo praticamente descarta
Doença de Graves. O resultado negativo, porém, não ajuda a identificar a
possível causa do hipertireoidismo, como faz a cintigrafia com iodo. Por isso
ela é o método preferido.

Como já citado anteriormente, a pesquisa do TRAb também pode
ser útil no seguimento dos pacientes sob tratamento para hipertireoidismo. A
queda nos valores do TRAb é um sinal de controle da doença.

































































































 


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